Episódio 16 – Conclusões – 1ª Parte


À medida que escrevemos estas lembranças da proveitosa convivência com um espírito do quilate do Sr. Langerton, espreita-nos a alma o clima de austeridade que este médium vivia dentro da simplicidade de sua vida. As palavras de João Batista ecoam em nossos ouvidos, advertindo que não temos mais outro caminho a seguir, senão o do bem, do amor ao próximo: “quem vos ensinou a fugir da fúria que está por vir?”. Ele sabia que aquele tempo seria um divisor de águas na história da humanidade e que a consolidação daquele reino anunciado por Jesus seria concluído com o verter de muitas lágrimas. Por isso, quando nos deparamos com um vanguardista do bem, tal como o Langerton, vem-nos na tela mental a figura do homem que não temeu a Herodes, nem tampouco a morte. Foi assim a séculos para a humanidade dar algum salto em seu progresso espiritual. Alguém teve de se sacrificar!

Depois de ver e ouvir tudo o que este servidor de Jesus fez, não temos outra opção senão a de prosseguir no esforço de servir ao mesmo ideal: “fora da caridade não há salvação”.

Homens da sua grandeza espiritual afrontam nossa ainda bruxuleante luz no caminho do bem. Se líamos a vida de Eurípedes Barsanulfo (médium) observávamos a enorme distância que ele estava de todos nós pelo grau de renúncia, como por exemplo, de não constituir uma família e transformar toda a humanidade em sua família espiritual… O mesmo ocorreu com outros missionários. Mas o Langerton, foi um homem que constituiu família, dividia suas obrigações entre atenções ao lar, atividades profissionais, a educação dos filhos e as atividades espirituais da Vila Cantinho Espírita em Peirópolis. Um cristão verdadeiro nos ensinando com os seus exemplos que, sim, podemos atender as múltiplas obrigações da vida cotidiana, fazer o bem e ser “agradável” a Deus. Além de tudo viveu toda a sua vida com um mínimo. À mais, pesava em sua responsabilidade, sem recursos extras, manter a Botica com aquisição de homeopatias importadas, grande consumo de Álcool de Cereal, de Frascos conta-gotas para distribuir os remédios gratuitamente, e tudo isso fazia sem que ninguem soubesse das suas lutas. “Que a vossa mão esquerda não saiba o que faz a vossa mão direita”.


Desprendimento – Dai de Graça o que de Graça Recebestes


Certa vez, fomos à Goianésia (GO), mas bem para o meio do Cerrado para buscar uma planta muito rara que é a Sete Sangrias. Já antecipo que esta planta difere muito das popularmente conhecida nos compêndios. Quem a procura no Cerrado em uma área de 500 m2, se tiver sorte, pode encontrar um exemplar desta planta. Mas ela é indispensável em uma botica a serviço de Jesus, por isso fomos em sua “terra Natal”.

A Viagem para Goianésia foi um divisor de águas em nossa história de aluno. Fomos brindados com várias lições. Difícil é fazer entender porque precisávamos passar por tantas dificuldades para obter uma planta, mas vou dar uma única explicação, quando entregamos ela a alguém que precisa, junto vai toda a sua história, amor e muita dedicação, junto vai a certeza que se os espíritos nos fizeram passar por todas as asperezas de uma jornada para obte-la, é porque um dia ela salvaria muitas vidas.

Antes de avançarmos no cerrado, pousamos na casa do irmão do professor Langerton, o Sr.Jonas. A Casa era de pau a pique e só podia hospedar mais uma pessoa que foi o professor. O clima naquela região era como no deserto. De dia faz muito calor e à noite muito frio. Era Junho… Inverno… Todo o resto da equipe ficou hospedado em um galpão sem paredes, ao ar livre. Não levamos muitas cobertas. Todos deitaram no chão de barro socado, forrado por uma lona, improvisado a divisória para homens e mulheres e os ventos uivantes da noite fria não deixou ninguém dormir.. De certo, isso para nunca virmos a reclamar de hospedagens no futuro. A água do poço estava turva. O chuveiro improvisado era pouco para muita gente (sem energia), procuramos um ribeirão na noite gelada (uns 8 graus) para o banho.

Incrivelmente, no dia da colheita das plantas estávamos todos renovados, com uma vitalidade diferente, especial. Entendi que o sacrifício foi nenhum já que todos fomos muito bem amparados.

Alguém precisou falar com o Sr. Jonas à noite e entrando na casa viu o médium Langerton encostado na Cama, sentado, com o Cobertor por cima, pois o mesmo era muito pequeno (como ele explicou no dia seguinte) e essa era a única posição que ele ficava bem aproveitado. Todos rimos muito com esta história. Facilidade para ninguém!

As atividades começaram. Primeiramente, depois de andar dezenas de quilômetros cerrado á dentro, estradas mal conservadas, muita poeira e calor, tivemos que atravessar um rio cheio de piranhas famintas em uma balsa puxada à mão, atravessar uma perigosa região de garimpo (pedindo a Deus que ninguém achasse que o tesouro que procurávamos era ouro), mais algumas dezenas de quilômetros (todo o estoque de água já tinha acabado) e chegamos num lugar que só ele, Langerton, saberia voltar. Lá, ele disse: – Aqui está o nosso tesouro. Peguem todo o necessário porque daqui a alguns dias nada mais disso vai existir! A cada metro quadrado tinha cinco plantas destas.. uma verdadeira bênção de Deus! Mais tarde ele nos diria que Eurípedes Barsanulfo (espírito) teria planejado o encontro deste lugar…

Pegamos o quanto pudemos das raízes (é um arbusto pequeno de uns 30 cm de altura) na base do enxadão por várias horas. Depois seguimos viagem para Brasília.

Os meses se passaram e voltaríamos a Brasília, no Monte Alverne (Instituição Espírita dirigida por Ariston Santana Teles e sua Esposa Isa Teles) perguntei para ele se não podíamos aproveitar e passar no santuário da Sete Sangrias. Foi quando ele respondeu que o lugar já havia sido desmatado e plantado no lugar por vários hectares, Eucaliptus. – Os espíritos já haviam me dito e meu irmão (que morava em Goianésia – já falecido) me falou hà alguns dias da ocorrência. Junto com esta planta, muitas outras foram destruídas por causa da ganância do homem!

Ficamos pensativos porque várias vezes ele repetiu isso:- Aproveitem e peguem as plantas que puderem pois daqui a alguns dias não existirá mais remédios neste lugar!

Era assim… ele viajava por vários lugares e pagava suas próprias despesas. Ele repetia uma frase muito conhecida: Nós vivemos para isso e não vivemos disso!

Para ele não havia nenhum tipo de distinção para atender. Como o mesmo amor atendia a todos. Uma vez comentamos com ele este estado de consciência, pois víamos nas filas da sua farmácia pessoas da alta classe social ao lado de outros com condições materiais muito difíceis… Ele dizia que ninguém sabe quem é “querido” por Jesus… E contou uma história para nós.


A História do Jorge


Parte desta história está narrada no livro de Adelino Silveira (Kardec Prossegue) que recomendamos a leitura.

O Jorge, (Langerton informou que seu apelido era Ditinho), visitava muito o Chico. Era uma pessoa muito simples, meia idade e que era assíduo frequentador do Grupo Espírita da Prece. Era muito sofrido, ajudava a manter os irmãos com muito esforço, tinha dificuldade para se expressar, mas era uma alma muito bondosa. Exalava odor desagradável muito provável pelo pouco banho que tomava e causava certa repugnância nos presentes, menos no Chico,quando se aproximava do médium que lhe dedicava dez vezes mais tempo que a maioria das pessoas que faziam fila para o abraçar.

O Jorge tinha um carinho muito especial pelo Chico e sempre se emocionava quando chegava a sua vez… Marcante mesmo, dizia nosso querido Langerton, era a ferida que ele tinha na boca que após as gostosas gargalhadas quando recitava versos que o Chico sempre pedia, abriam-se em feridas por onde corriam sangue e pus. Ao se despedir beijava o rosto do Chico deixando as marcas da ferida em seu rosto. O médium, nunca deixou ninguém limpar o “beijo do Jorge”.

Um dia o médium Langerton que sempre chegava muito cedo no Grupo Espírita da Prece para organização do prédio (varrer, limpar, organizar lápis e folhas de papel, livros e cadeiras), recebeu o Chico que na chegada foi lhe dizendo: – Sabe quem desencarnou hoje? O médium Langerton fez um gesto que não Sabia e o Chico completou: O Ditinho. Sabe quem veio Buscar o Ditinho, Langerton? Citou Emmanuel, André Luiz e até no Dr Bezerra de Menezes mas após o Chico recusar todas as tentativas completou: – Jesus! Nos disse que ficou impressionado com esta revelação e ainda mais quando o Chico lhe disse que ele, o Jorge ou Ditinho, era a reencarnação do célebre estadista e general alemão Otto Von Bismarck (o Chanceler de Ferro), que mudou o rumo da história daquele país. – Disse o Chico que nesta reencarnação expiatória, como Jorge, Bismarck teria saldado suas dívidas para com as leis de Deus e concluiu: – Por isso a bênção da reencarnação. Não sabemos quem está diante de nós e temos que amar e respeitar a todos por igual!


Presença do Médium Langerton na FEESP


Após as reportagens no Globo Repórter em Abril de 1996 era evidente a busca das pessoas pelo conhecimento do que se tratava aquele movimento (o da fitoterapia), impetrada por aquele homem simples, mas de muita fé.

Antes disso o médium já se fazia conhecido no meio espírita por diversos eventos, entre eles a participação no Congresso Espírita realizado pela Federação Espírita do Estado de São Paulo em 1994, inclusive com a instalação da Botica e atendimento ao público neste evento.

Após, recebeu convite do então presidente da FEESP Sr. Teodoro LausiSacco, com quem firmou fortes laços de amizade, para realizar atendimento dentro das dependências da Federação.

Estivemos Lá em no final de 1994 e começo de 1995 com um grande atendimento que teve início as 07 da manhã e terminou às 20h da noite onde foram atendidas 1.250 pessoas. Lá, Foi inaugurada uma botica para atendimento ao público semanalmentefuncionou por vários anos deixando o perfume da ciência da Fitoterapia de Eurípedes Barsanulfo naquela Casa.

Inesquecível foi o Encerramento do Congresso Espírita na FEESP em 1994. Após alguns dias de atividades o médium Langerton, presente na mesa de honra na qual podemos destacar tambéma presença do médium Divaldo Pereira Franco, o Sr. Teodoro LausiSacco, entrega o microfone ao médium Langerton para fazer a prece de encerramento. Era um anfiteatro muito bonito, cadeiras dispostas como em um cinema. Langerton quebra o protocolo, e disse que esteve aqueles dias no meio do povo e queria encerrar fazendo uma prece no meio do público. Pega o microfone sem fio e se dirigindo para o meio do salão, eleva o pensamento à Jesus e aos patronos espirituais que governam o destino da doutrina espirita na pátria do Evangelho e faz uma prece que levou todos às lágrimas.. Ainda hoje, suas palavras ecoam em nossos ouvidos: “– …Mãe Santíssima, mãe de todas as mães, olhai por nós, que somos os eternos devedores das leis de Deus… Senhor Jesus, uma fagulha do seu amor pode abrasar a terra toda…”

Langerton era assim, um homem simples, mas muito conhecido e querido dos necessitados de toda a sorte.


Que Deus Abençoe a todos.

Muita paz.

Geraldo Pereira Nunes - Jacupiranga/SP
































Atividade com as Plantas – Monte Alverne 1998






























Atividade com PLantas – Monte Alverne ano 2001






























Atividade com PLantas -Monte Alverne ano 2002































Balsa que foi puxada sobre o rio em Goianésia (repleto de piranhas) - 1994































Com o Médium Langerton adquirindo Cristais para fazer remédios






































Com o médium Langerton e Sra Isa Teles no Monte Alverne - Março de 1998
































Cuidando das plantas colhidas – Monte Alverne 1996

















Em frente a casa do Sr. Jonas (irmão do Langerton) – Goianésia 1994

















Cerrado do Planalto Central - 1988

















Ao centro Edna Nunes e Isa Teles – Monte Alverne – 2001

















Na casa do Sr Jonas – Assinando o termo de confidencialidade dos segredos das plantas

















No santuário de Sete Sangrias

















O Galpão que serviu de hospedagem em Goianésia – 1994

















Ao fundo, o rio referido na história – Goianésia – 1996


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