Episódio 13 – Escola de Fitoterapia






















A Primeira Turma de Alunos da Escola de Homeopatia e Fitoterapia


Como dissemos no episódio anterior, tendo em vista o plano de formar os continuadores da obra de Eurípedes Barsanulfo, que ele mesmo se dedicava de corpo e alma para manter, programou para final de fevereiro de 1992 (período do carnaval) o primeiro grande encontro de Estudos da fitoterapia com a primeira turma de Alunos das quais fomos honrados com o convite. Já tinha participado de um pré-estágio no mês de janeiro o que aconteceu juntamente com a equipe do Monte Alverne, de Brasília. Chegando então, já pela segunda vez, no período do Carnaval de 1992 que foi de 28 de fevereiro à 04 de março daquele ano, encontramos muita gente agrupada que vinham em caravanas das Cidades de São Paulo, Brasília, Santo André, Araraquara, Ribeirão Preto, Piracicaba, Fernandópolis, Votuporanga, Campinas, Cajuru e Jacupiranga. Eram cerca de 40 Pessoas sendo muitos que estavam presentes não podiam participar das aulas pois vieram como colaboradores. Um detalhe importante A presença de todos, mesmo dos colaboradores das equipes tinha que ter a anuência do médium que a tudo coordenava pessoalmente. Não participava das aulas quem não fosse convidado por ele. Havia para isso uma razão especial que ele sempre enfatizava – “Quem aponta para mim as pessoas que tem o vínculo com o trabalho, quem trouxe esta bagagem missionária são os espíritos. Eu faço o convite mas a continuidade depende exclusivamente do convidado para a tarefa.”


Muitos os Chamados, Mas Poucos os Escolhidos!


Acompanhamos em todos estes anos o processo do “chamado” em que muitas pessoas receberam o convite para o trabalho redentor ou a permissão para ingressarem no grupo de alunos e a parábola evangélica sobre o ”festim das núpcias” onde o Mestre imortalizou a máxima “são muitos os chamados, mas poucos os escolhidos” era bastante assertiva e atual nestes casos. Muitos candidatos chegavam fascinados, entusiasmados e com a ilusão de que a obra não dava trabalho ou não exigia renúncia, humildade, dedicação é fé. No primeiro contato com a colheita das ervas no mato já recebiam um “choque”. Queriam impor facilidades inadmissíveis pelos espíritos como máquinas para triturar as plantas, aquisição de plantas prontas no mercado para não ter que ir no mato buscá-las, pegar macerações prontas com outros companheiros, evitavam o contato com o pilão ( um dos grandes segredos e diferenciais deste trabalho) e com isso, diante da disciplina irretocável que os Espíritos Eurípedes Barsanulfo e Emílio Luz impunham, muitos desistiram desta tarefa. Uma pena pois como no caso do senador Públius Lentulus, relatado no livro Hà dois mil anos, que um dia ouviu no encontro com o Mestre Jesus a seguinte advertência “você pode aproveitar esta oportunidade agora ou só daqui a milênios”, esta expressão não seria diferente para nenhum de nós que fomos chamados ao trabalho santificante dos médicos pés-descalços.


O Pilão


O médium e professor Langerton sempre afirmou, conforme aprendeu com o Espírito Dr. Adolpho Bezerra de Menezes que “A caridade tem que ser feita com as próprias mãos”. Todo o trabalho com as plantas tinha que ser feito manualmente pois em cada etapa (Colheita, lavagem, secagem, picagem, trituração no pilão, maceração e filtragem da tintura mãe) o médium que manipula as plantas, incrementa um pouco do seu fluido vital e, também, os espíritos tem a oportunidade de magnetizar e potencializar as propriedades medicinais das plantas. Não são apenas alcaloides mas todo um conjunto que faz muita diferença no resultado final. Por isso, também, o trabalho tem que ser isento de qualquer remuneração (seja pessoal ou financeira) pois, só assim, dando de graça o que de graça recebeu, se contará com a assistência dos bons espíritos. Nenhum aluno se furtava de trabalhar no pilão, homens ou mulheres, jovens ou mais idosos, guardando é claro as diferenças de força física de cada um. Essa era uma matéria obrigatória nesta “universidade”.


Os Primeiros Anos da Fitoterapia em Peirópolis


Quando algum aluno insistia em querer “facilitar” ele contava sobre os primeiros tempos. Hoje, os receituários são pré-elaborados com linhas e espaços que facilitam em muito na hora da prescrição bem como na rapidez, os frascos são de plásticos conta-gotas e já vem esterilizados de fábrica, as etiquetas são adesivas e impressas. Mas nem sempre foi assim. Nos primeiros tempos os frascos que o médium utilizava eram de vidros (200, 250 ml) reutilizados (recebia doações de tudo quanto era lugar). Mas os frascos chegavam em péssimas condições e, assim, o médium tinha que lavar cada frascos com água e sabão, fervê-los num caldeirão para esterilizar e finalmente secá-los. Essa era uma tarefa trabalhosa e que ocupava muito tempo, pois o médium chegava a manipular mais de mil frascos por mês! Tinha uma pilha constante de 5000 vidros para serem limpos, que recebia de doação… Muitos candidatos a “auxiliar de farmácia” desistiram da missão na hora de limpar os vidros… Sempre foi uma ótima peneira para selecionar o Joio do Trigo. Para ser discípulo de Eurípedes Barsanulfo, tinha que amar o trabalho! As etiquetas não eram adesivas. Impressas em gráficas. Ele cortava e separava por tipo de etiqueta numa caixinha. O próprio médium era quem preparava a cola à base de goma arábica. Uma vez ofereci um lote de etiquetas adesivas, logo que comecei a frequentar as aulas. E ele me disse que não iria aceitar, como outros anteriormente, porque não iriam conseguir manter a quantidade que ele usava. Seja pela demora do correio, atraso, ou mesmo pelo grande dispêndio. Realmente não conseguiríamos sustentar sem faltar o volume necessário. Ele dizia que já estava acostumado com a cola, foi assim que ele aprendeu e que continuaria até o final. E assim foi feito. A água, embora fosse mineral, tinha que ser fervida e filtrada e todo o álcool utilizado tinha que ser de cereal o qual vinha de longe e tudo isso exigia do médium um grande trabalho. Mas fazia tudo com muito amor e ainda tinha as atividades doutrinárias (suas reuniões e as reuniões do Chico às sextas e sábado), familiares para cuidar (havia adotado vinte filhos, além das duas filhas que vieram do seu casamento com dona Ana dos Santos) e as atividades profissionais nas escavações da paleontologia. Esse era o Homem, e o carácter do missionário que foi Chamado por Eurípedes Barsanulfo ao trabalho e que correspondeu plenamente!


As Aulas


As aulas eram ministradas na frente da planta, em seu habitat, e com isso nos deslocávamos de carro, em caravana, por vários quilômetros na redondeza de Peirópolis nestes primeiros grandes encontros. Depois, ainda no primeiro ano, o médium marcou uma viagem para Goianésia e Brasília, viagem inesquecível pelo volume de lições fitoterápicas e espirituais que recebemos. A Dna Ana, sua esposa, tinha um papel fundamental pois era ela quem preparava toda a alimentação (café, almoço e Jantar), mantinha a hospedagem dos alunos. Com seu sorriso contrabalançava um pouco a severidade e austeridade do ambiente dos estudos. Como uma mãe, distribuía carinho para os “filhos”. Tinha sempre um sorriso espontâneo no rosto, mas um olhar penetrante, que revelava a personalidade de qualquer um que lhe olhasse. Por isso era nossa mãe, zelosa e dedicada, conselheira do bem para o bem! Amante do trabalho bem feito e da disciplina, premissas incorporadas na convivência com seu companheiro foi, como continua até hoje, uma grande referência na abnegação, humildade e amor ao próximo ao lado do próprio médium. Todos os alunos provinham de grandes cidades com os costumes e a cultura de quem vive as facilidades da cidade. O Choque ao chegar em Peirópolis era grande e próprio mesmo para imprimir um clima de austeridade, disciplina quase militar e de recolhimento. Desconectávamos do mundo. Sem televisão, noticiários (na época não existia Celular e computador era artigo de luxo), mantínhamos um clima de reflexão meditação constante nos valores das belezas espirituais e da tarefa que nos comprometíamos a realizar. Tudo era muito simples, ao mesmo tempo que saturado de riquezas espirituais. O ambiente era repleto de vibrações especiais e de perfumes de ervas do campo que contribuíam para as mais fortes impressões em nossas almas. O Lar dos Apóstolos, construção de quatro cômodos apenas com o telhado, que servia para hospedar visitantes e alunos, dizia bem que o Lugar era para se viver um apostolado de amor e de bênçãos. Muita planta ele cultivou naquelas terras, mas a maioria das plantas de Peirópolis que ele colhia eram naturais. Os espíritos mantinham o médium informado de todos os movimentos dos alunos, mesmo quando eles voltavam para suas casas. Certa vez contei a ele sobre um fato ocorrido no desenrolar de nossas atividades em Jacupiranga e ele me disse que já sabia. Perguntei como (muita inocência minha) e ele me respondeu que os espíritos ao mesmo tempo que amparam-nos, vigiam e como ele, Langerton, estava muito comprometido e responsável pela missão de cada aluno, no que dizia respeito ao desenvolvimento das atividades da fitoterapia, ele era informado dos nossos passos…


Meu Aumento de Salário


Logo que comecei na fitoterapia passados alguns meses recebi um aumento no salário, não era muito mas era um verdadeiro alento naqueles anos difíceis. As despesas com a farmácia estava sendo totalmente absorvidas com os meus recursos. Foi um aumento de salário por mérito, mas inesperado. Chegando em Peirópolis para um estágio, não comentei nada com o médium para não parecer algum tipo de exibicionismo ou indiscrição. Em dado momento no Jantar, estávamos todos reunidos do lado de fora da cozinha e falei das dificuldades no trabalho, do bom combate que realizamos em Jacupiranga e ele tomando a palavra enfatizou que a assistência espiritual nunca faltará e complementou diante do grupo – Tem gente que recebia um salário de 750,00 e de repente passa para 950,00 sem saber que foram os benfeitores espirituais que trabalharam por isso para que ele tenha mais recursos para manter a farmácia. Falou isso e olhou para mim! Emudeci porque era justamente o aumento que havia recebido. Fiquei feliz com a revelação e agradeci muito à Deus pelo presente obtido!


O Poço de Água


A água de Peirópolis era algo muito especial. Era mineral e vinha de um poço perfurado à máquina. Todos que bebíamos daquela água sentíamos uma banho de energia, além é claro de ser fresca e muito pura. Mas especial mesmo era a história de como ela foi encontrada. Quando o médium recebeu a indicação espiritual de fundar a Vila Cantinho espírita em Peirópolis adquirindo aquele sítio, uma coisa lhe trouxe preocupações para a infraestrutura daquele lugar Não tinha uma fonte de água potável por perto e água tratada não existia para aquela região. Então o médium conseguiu com amigos uma sondagem para achar água. Já haviam perfurado mais de 60 metros em vários lugares sem achar um veio de água, quando os operadores disseram-lhe que ele podia deixar o lugar porque sem água não tem nada para fazer. O Médium fez uma prece silenciosa pedindo ajuda aos espíritos quando neste instante lhe aparece o inolvidável espírito de Eurípedes Barsanulfo dizendo-lhe – Me acompanhe! O Médium seguiu o benfeitor que em determinado local parou e lhe disse Perfure aqui. O médium chamou o grupo que operava o equipamento e disse determinado- podem perfurar que a água já vai aparecer! Eles alegaram que já haviam feito vários furos no terreno sem sucesso, mas o médium foi convincente – Que me disse não erra, nunca se enganou. O Serviço iniciou com toda a expectativa e com poucos metros de profundidade a água apareceu para o espanto de todos e a alegria do médium Langerton. Era uma água cristalina, mineral de alta qualidade como as análises laboratoriais, posteriormente feitas, apresentavam, graças à ajuda de Eurípedes Barsanulfo. A misericórdia e a bondade de Deus nunca faltou em seu caminho.


Que Deus Abençoe a todos.

Muita paz.

Geraldo Pereira Nunes – Jacupiranga/SP



As inesquecíveis aulas no cerrado, com o Professor e Médium Langerton Neves da Cunha

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