Episódio 11 – Dai de Graça o que de Graça Recebeste
















































Dai de Graça o que de Graça Recebeste


A mediunidade curadora é uma das mais desafiadoras que existe no sentido de experimentar o desprendimento dos bens terrenos do médium, o domínio sobre o ego, vaidade e do orgulho.

Não foi sem outra preocupação que Jesus deixou aos seus discípulos a recomendação: o que de graça recebeste, de graça dai! Isto é o dom da mediunidade dada por Deus, de graça deveria ser distribuído suas benesses à todos.

A não observação deste mandamento tem sido um dos maiores responsáveis pela falência da missão de muitos médiuns. Muitas vezes não é o benefício financeiro que é cobrado, mas toda a sorte de vantagem pessoal que fira este código de ética divino.

A literatura espírita está farta de alertas contando casos e exemplificando os dramas decorrentes das quedas dos médiuns. Ver o Livro Os Mensageiros (André Luiz/Chico Xavier) e Tormentos da Obsessão (Manoel Philomeno de Miranda/Divaldo Pereira Frando). Neste último o benfeitor espiritual Manoel Philomeno de Miranda descreve suas atividades no Hospital Esperança fundado por Eurípedes Barsanulfo no plano espiritual e que tem como um dos seus objetivos acolher espíritas que faliram em suas missões e que se precipitaram, em virtude da consciência conturbada, em regiões sombrias da espiritualidade. Vale à pena Ler e estudar esta obra.

Allan Kardec foi muito feliz ao expor com maestria este tema no Evangelho Segundo Espiritismo, Capítulo 26:

Item 2: “Dai gratuitamente o que gratuitamente haveis recebido”, diz Jesus a seus discípulos. Com essa recomendação, prescreve que ninguém se faça pagar daquilo por que nada pagou. Ora, o que eles haviam recebido gratuitamente era a faculdade de curar os doentes e de expulsar os demônios, isto é, os maus Espíritos. Esse dom Deus lhes dera gratuitamente, para alívio dos que sofrem e como meio de propagação da fé; Jesus, pois, recomendava-lhes que não fizessem dele objeto de comércio, nem de especulação, nem meio de vida.

Item 10: A mediunidade é coisa santa, que deve ser praticada santamente, religiosamente. Se há um gênero de mediunidade que requeira essa condição de modo ainda mais absoluto é a mediunidade curadora.

Não precisamos nos estender nas considerações mas basta uma rápida busca em nossa memória e podemos relacionar vários maus exemplos do que estamos falando. Mas à cada um segundo as suas obras.

Aqui, nestas linhas, queremos falar de alguém que triunfou sobre todos os desafios que surgiram experimentando o seu caráter missionário seja nas questões financeiras como na vaidade e outras virtudes. Com uma moral e fé inabaláveis, o médium Langerton cumpriu a missão integralmente.

Vejamos o plano diretor de nosso professor e homenageado espiritual.

- Nascer num berço espírita com forte ligação ao emérito médium Sacramentano Eurípedes Barsanulfo. Seu Pai, Paulino Domingos da Cunha tinha laços familiares com a família de Eurípedes.

- Nascer em berço humilde, sem recursos materiais e tendo que começar desde jovem o trabalho árduo no campo.

- Receber aos nove anos de idade, diretamente de Eurípedes Barsanulfo, a revelação que tinha uma missão a cumprir no mundo e que um dos principais aspectos dela seria uma continuidade do seu trabalho com as ervas medicinais no atendimento à dor humana.

- Não ter condições de concluir o ginásio, senão o primário (cursou até sétima série) e enfrentar somente com a ajuda dos espíritos a responsabilidade de desempenhar uma tarefa desta envergadura.

- Construir aos 30 anos uma instituição complexa, com vários departamentos em um sítio de sua propriedade, tratamento de dependentes químicos, vítimas de obsessão, estudo do evangelho, albergue noturno, farmácia de manipulação e receituário, tudo isso recebendo apenas salário mínimo.

- Trabalhar, sem nunca faltar, por trinta anos consecutivos ao lado de um dos maiores missionários da doutrina espírita do Brasil e de todo o mundo, Francisco Cândido Xavier.

- Ampliar o trabalho de Eurípedes Barsanulfo para todo o Brasil e além das fronteiras Brasileiras, deixando a mensagem de Eurípedes Barsanulfo, e a sua memória como fonte consoladora a brilhar no corações de todos.

- Formar discípulos que honrassem o compromisso de não mudar os ensinamentos dos espíritos e que resistissem à tentação de colocar algo de pessoal em seu trabalho depois que ele, Langerton, partisse.

Resumindo:

Cumpriu na íntegra o plano diretor de sua missão naquilo que diz respeito ao que dependia do seu esforço. Cabe agora aos que foram formados nesta escola de amor, humildade, disciplina e dedicação preservar este patrimônio de alta envergadura espiritual.


O Caso Da fórmula de um Tônico


Esta é uma fórmula que ele recebeu dos espíritos e que tinha um grande zelo por ela, pois conforme sua informação, os seus benfeitores espirituais foram dando ela aos poucos sendo completada a combinação após quatro anos.

Nota: Todas as informações que os espíritos revelaram sobre as ervas medicinais são sigilosas justamente para que o comércio não inviabilize o acesso das pessoas a estes remédios. Por isso, o que os espíritos revelaram gratuitamente, deve ser distribuído gratuitamente.

Todos os alunos admitidos nesta escola tiveram que assinar um termo de compromisso com a espiritualidade superior:

- Eu, ……., perante Jesus e a espiritualidade superior me responsabilizo pelas fórmulas recebidas que não serei um vendilhão do templo.

Uma outra observação temos que fazer: Os espíritos não só ensinavam informações sobre as ervas medicinais, informações estas que não existem em nenhum compêndio de Bioquímica ou fitologia, mas também aulas sobre o metabolismo e ação das plantas respeitando as características orgânicas.

Neste período utilizava-se da horta como já contamos em outro episódio.

Foi numa destas fases difíceis, sem salário e condições precaríssimas que estaca um carro muito luxuoso na frente da farmácia e desce dele um homem muito bem vestido dizendo que queria ter uma conversa com ele.

O Sr. Langerton atendeu a fila da consulta e chamou o homem que aguardava ansiosamente. Chegando na farmácia, este homem disse que tinha em mãos um cheque assinado no valor de seiscentos mil cruzeiros e que trouxe para entregar a ele em troca da fórmula de um remédio para problemas hepáticos.

O médium ficou muito apreensivo, naturalmente pela notícia inesperada e foi fazendo suas preces pedindo auxílio aos benfeitores espirituais.

O Médium disse que era impossível. Como o homem insistisse, alegando as necessidades que ele deveria estar passando o médium então propôs algo para este homem:

- Olha, eu te dou esta fórmula de graça se você trouxer três assinaturas para mim.

O Homem disse que isso era fácil para ele, porque tinha muitas influências no governo e nada lhe era impossível.

- Quais são os nomes? Já com uma luxuosa caneta na mão na mão.

Então o médium respondeu-lhe.

- Dr Adolpho Bezerra de Menezes, Eurípedes Barsanulfo e Emílio Luz.

O Homem satisfeito perguntou sobre uma dica onde os encontraria só para facilitar a busca.

O médium respondeu: – O primeiro da lista, Dr Bezerra de Menezes, ele o encontraria se embarcasse num avião supersônico e ascendesse em linha reta (na vertical) por sete anos consecutivos… era nesta região que ele morava…

Foi então que o empresário se deu conta que era a morada dos espíritos e que jamais conseguiria as assinaturas dos verdadeiros autores da fórmula espiritual.

Entrou contrariado no carro e foi embora.

O Médium voltou para a farmácia para preparar remédios.


A Fórmula de Uma Pomada


De outra feita um grupo de cientistas exigiram que ele revelasse a fórmula de uma pomada para afecções da pele. Uma doença rara. Os efeitos desta pomada já haviam sido constatados por estes estudiosos que acompanharam algumas pessoas que dela se utilizaram. Chamaram ele aos órgãos públicos e comparecendo numa audiência foi notificado que se era para um bem público ele deveria revelar o “segredo”.

Ele fez a sua própria defesa:

- Tenho minha fé religiosa. Esta fórmula não é minha e sim dos espíritos que me ensinaram com a condição que ela fosse distribuída gratuitamente.

Proponho a vocês o seguinte: Se me derem a matéria prima (principalmente a vaselina) faço quantas toneladas forem necessárias para a distribuição deste remédio com uma única condição: Ele tem que ser distribuído de graça!

A sessão encerrou e ele voltou tranquilo para a sua casa, pois o interesse destes cientistas era comercializar o remédio.


E Se o Remédio for Vendido?


Uma vez perguntei ao nosso professor:

- Senhor Langerton, e se por um acaso, algum dia, algum aluno se perturbar e resolver vender o remédio?

Ele me respondeu: – O remédio não fará o efeito desejado por que faltará um dos principais ingredientes na fabricação dele.

Eu era ainda muito Jovem nos estudos, perguntei qual era este ingrediente especial.

Ele me respondeu simplesmente: – Este ingrediente é o amor!

E ficou contemplando o céu como se a Deus agradecesse as bênçãos que havia ganhado naquela existência com o trabalho da fitoterapia.

Assim era a vida deste grande trabalhador espírita nas terra de Minas Gerais.

Atendia a milhares de pessoas por mês. Preparava os remédios, tinturas, pomadas, loções com as melhores matérias-primas que dispunha a exemplo do que fazia em vida Eurípedes Barsanulfo em sua farmácia (Livro Eurípedes Barsanulfo, O Homem e a Missão de Corina Novelino).

Ele sempre nos dizia: – Falta comida em casa mas não falta remédio na farmácia.

Uma clara forma de dizer que o sacrifício pessoal de cada aluno deveria ser feito em prol do bem e do amor. Muitas das tinturas eram importadas e tudo isso gerava uma despesa razoável e fixa que era suprida com a realização de chás beneficentes e com os seus próprios recursos de funcionário público.

Nunca faltou remédio em sua farmácia!

Que Deus Abençoe a todos


Muita paz


Geraldo Pereira Nunes




RETORNAR AO MEMORIAL DE LANGERTON


Fut7 Veteranos