Episódio 10 – A Cura da Esposa de um Capitão








































Assumir nossa opção religiosa nos dias atuais é muito tranquilo porque as pessoas na sua grande maioria entendem que religião é coisa que não se discute.

A intolerância religiosa fez parte de um passado sombrio de nossa história como foi no caso das cruzadas, da perseguição aos cristãos, as lutas entre católicos e protestantes e o fanatismo de grupos islâmicos que até hoje chocam o mundo com seus atos.

Lembremo-nos dos primeiros dias, dias difíceis da doutrina espírita pós-lançamento do Livro dos espíritos como foi o auto de fé em Barcelona quando os livros de Allan Kardec foram queimados em praça pública no dia 09 de Outubro de 1861.

Lembremo-nos do primeiro ano da república do Brasil quando em 11 de Outubro de 1890 ao promulgar o código penal o artigo 157 dizia: “é crime praticar o espiritismo”.

Na virada do século XX, as nuvens foram completamente desfeitas com ações de alto teor de espiritualidade tais como, as atividades de Eurípedes Barsanulfo no Grupo Espírita Esperança e Caridade na cidade de Sacramento (MG) onde mais tarde também fundaria a farmácia Esperança e Caridade, a fundação do Colégio Allan Kardec e toda uma vida dedicada ao bem.

Ainda no começo deste século reencarnaria Francisco Cândido Xavier (1910) cuja vida mudaria para sempre o rumo da doutrina espírita não só no Brasil como no mundo. Divaldo Pereira Franco, Langerton Neves da Cunha reencarnariam no mesmo ano, 1929, dando ainda mais vitalidade no movimento espírita, consolidando os planos dos espíritos superiores para a pátria do Evangelho…

O médium Langerton, ao fundar o Centro Espírita Eurípedes Barsanulfo em 1961, aos 32 anos de idade, sabia perfeitamente que dali para frente começaria o bom combate, como disse Paulo em sua carta a Timóteo. A época era delicada em seu contexto sócio-político pós segunda guerra mundial. O mundo se recuperava deste trauma, o Brasil surpreendia-se com a renúncia do Seu presidente da república (Jânio Quadros) e em breve o golpe civil/militar (1964) que mexeria com toda uma cultura de uma nação acirrando, em nome da austeridade, da ordem e do progresso, preocupações e inseguranças que culminaram com o AI-5 assinado em 1968 dando poderes extraordinário ao presidente da República. Tempos delicados e de muita vigilância.

Não Obstante todo este contexto, sob a égide de Ismael, o movimento espírita seguiu intocável em seu plano, já passados a metade do século XX.

O médium Francisco Cândido Xavier se preparava para sua primeira participação no programa Pinga-Fogo (1971 na rede Tupy) com a maior audiência que um programa de televisão deste segmento jamais teve.

O Livro Somos Seis (relatos dos que desencarnaram no incêndio do edifício Joelma em São Paulo) estava para ser lançado, bem como o filme desta tragédia iria ao Cinema. E à parte da religião, a repressão política seguia seu curso como todos já sabemos.

Em Peirópolis, por esta época, as atividades seguiam inalteradas. As reuniões do Estudo do Evangelho, passes, psicografia e atendimento fitoterápico eram realizadas às sextas-feiras na Vila Cantinho Espírita em Peirópolis. Centenas de pessoas buscavam amparo nos remédios fitoterápicos. O Conhecimento da ciência era limitadíssimo na época onde apenas as máquinas de RX davam ideia do interior do corpo humano. Não existiam ainda as máquinas de ultrassom e de tomografia (a primeira máquina apareceu em 1972), e os diagnósticos eram vagos com tratamentos demorados e muitos deles caros.

O Farmacêutico era em geral o médico da família uma cultura que ainda existe no interior dos estados em nosso país. Mas o médium Langerton, era mais que um farmacêutico no atendimento das necessidades. Era alguém que atendia por amor e fidelidade a Jesus.

Os necessitados chegavam até Peirópolis, de um modo Geral, já desenganados após inúmeras e infrutíferas tentativas com a medicina ortodoxa. Pondo suas faculdades mediúnicas em ação durante a consulta, sabia exatamente o problema real que a pessoa tinha, contando para isso, é claro, com a ajuda dos espíritos. Analisava a aura dos consulentes, tinha profundos conhecimentos de fisiogonomia, e como dissemos contava com a ajuda direta do seu benfeitor espiritual Emílio Luz já que para eles, os espíritos, a matéria não oferece obstáculos.

O Caso da cura da esposa de um capitão

Foi nesta época por volta do ano de 1971 que estaciona na porta da Farmácia Frederico Peiró um destacamento da Polícia Militar com um mandato de prisão e fechamento imediato da Farmácia Frederico Peiró. Algum inimigo da doutrina espírita havia feito uma denúncia e sem alvará de um farmacêutico ela deveria fechar. As preocupações da família foram grandes, naturalmente, mas o médium não se intimidou lembrando do processo a que se submeteram seus mentores quando ainda em vida e os testemunhos que todos deram. Com sua vidência nosso irmão viu a chegada de seus mentores espirituais, Emílio Luz e Eurípedes Barsanulfo.

O Capitão sercado de guardas armados lê o conteúdo do mandado e intima o médium a seguí-lo. Com serenidade Langerton argumenta com o capitão.

– Você terá a coragem de fechar esta farmácia. Ela faz tanto bem as pessoas. Bem que em lugar nenhum elas podem encontrar? Falando isso apontou para a fila de doentes que o aguardava…

O Capitão foi incisivo: – Sr. Langerton, tenho ordens expressas e tenho que as fazer cumprir.

O médium já sob ação direta de seus mentores espirituais responde:

- Pois eu lhe proponho algo: A sua esposa está neste momento se contorcendo de dor, na cama, por causa de uma colite (inflamação intestinal) que médico nenhum à anos conseguiu curar.

- Como o Senhor sabe? Perguntou o capitão surpreso.

- Sou médium, e os espíritos estão me dizendo isso agora.

- Então eu lhe proponho o seguinte, falou Langerton com sua fé inquebrantável: Leva para ela este remédio. Faça ela tomar direitinho e caso ela não fique boa o senhor pode vir me prender e fechar a farmácia.

O capitão ficou sem resposta. Lembrou de sua esposa em casa acamada, o sofrimento de anos que os entristecia muito. Vencendo a reflexões e sob o envolvimento da atmosfera de amor daquele lugar cede, aceitando o precioso presente de Deus na forma de gotas de ervas medicinais. Entra na viatura e vai embora.

Passados quase um mês o capitão retorna à Vila Cantinho Espírita.

A expectativa era enorme. Quando ele desce da viatura, encontra o médium atendendo na farmácia. Aguarda a pessoa que estava atendendo sai e se dirige ao médium emocionado.

- Vim aqui para agradecer a cura da minha esposa. Na primeira dose do remédio que ela tomou as cólicas desapareceram imediatamente! Após uma semana, voltou ao médico que disse que só podia ter acontecido um milagre, pois ela não tinha mais nada da doença…

- Bem, Sr Langerton, não vim aqui somente para agradecer. Vim retribuir este presente que Deus me deu. Trouxe um Alvará de funcionamento desta Farmácia assinado pelos responsáveis dos órgãos competentes para que ninguém, nunca mais ameace o Senhor em seu Trabalho. Com ele, esta farmácia poderá seguir ajudando a muitas outras pessoas sem que ninguém venha incomodar! Chorou de emoção e agradeceu a Jesus e seus emissários divinos o amparo que teve para continuar a semeando o amor ao próximo em sua missão aqui na terra.

Que Deus Abençoe a todos


Muita paz


Geraldo Pereira Nunes




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